terça-feira, 30 de junho de 2009



E se afinal a intimidade pudesse ir muito mais longe e começar onde agora acaba?
E se se pudesse tomar o corpo e a alma como um só?
E se não houvesse nada para esconder mas tudo para descobrir?
E se em vez dos gestos usados, criasse gestos novos que nunca experimentei e os usasse sem querer prever os resultados?
E se fosse mentira ter que escolher entre amar e ser livre e ao contrário pudesse amar e com isso libertar-me?
E se quebrasse as regras em vez de quebrar a minha alma e me atrevesse a ser inteira e mostrá-lo com orgulho ao mundo como uma banderia?
E se voltasse a querer a minha criança curiosa, pulasse muros e me aventurasse nas florestas?
E se em vez de segura me sentisse viva?

Amor, ama com cuidado e não só com paixão, a paixão devora e o amor cuida.
O amor apaixonado devora cuidadosamente.
Vou escrever num caderno dourado mil vezes esta frase para que não caia em desuso e no esquecimento.
Até que no meu cérebro o caminho entre amor, paixão e cuidado fique marcado tão profundamente que os sulcos sejam leitos de rio por onde os sentimentos encontrem sempre caminho. E que do meu cérebro em ondas eléctricas, esta certeza chegue à minha pele e expluda em cada poro como uma pequena faísca, fogo de artifício íntimo.
E toda eu exulte na certeza de que ao amor é imprescindível cuidado e que a paixão sem amor devora a alma e só deixa restos inúteis, esfarrapados de sonhos teimosos.
Numa certeza pequena, física, orgânica, visceral, sentida até aos ossos de que evidentemente há uma correlação inequivocamente inquebrável
Paixão – amor - cuidado